Hoje penso num luto em específico… o luto da cuidadora de idosos. Não há muitos artigos a falar sobre isso. Talvez porque (ainda) não dão importância. Talvez porque a simples cuidadora tem que apenas seguir em frente. Porque afinal de contas, era mais um utente que cuidamos, não é? Mas, e se não for assim? E se, afinal, aprendemos algo com eles? E se, afinal, um bocadinho, mas nem que seja um bocadinho bem pequenino, de nós, também morre? Um luto, é eterno… jamais apaga a saudade, jamais apaga a nossa aprendizagem com aquele idoso, nem que tivéssemos a cuidar dele por pouco tempo. O que tenho aprendido, é que apesar de termos de normalizar a morte, também aprendemos com ela. Aprendemos, que cada pessoa que cruza nosso caminho, cada pessoa que nós dedicamos a cuidar dela, nos dá qualquer ensinamento. Um deles, é sobre o amor. Ensinam-nos o significado do amor universal. Ensinam-nos a dar nosso amor, carinho, dedicação. Ensinam-nos as histórias de amor, que eles próprios viveram. Cada idoso que cuido, fica sempre num cantinho do meu coração. E quando falecem, um bocadinho pequenino de mim, entra em luto. Afinal, ninguém nos ensinou a ser de ferro. E eu prefiro ser uma pessoa emocional, do que ser de ferro. De vez em quando lembro-me das pessoas que já cuidei e bate aquela nostalgia… saudade! A vida continua… mas o luto…ah o luto! Esse será eterno!

