“O mal do século” Esta e entre outras frases, costumam definir a ansiedade.
Mas, sabia que a ansiedade até um certo ponto, é uma aliada do ser humano?
Este sentimento está presente na nossa vida, justamente para que o Ser Humano sobreviva aos perigos de cada período seja ao proteger-se de predadores mortais como na pré-história ou, numa situação mais atual, ao evitar ser-se assaltado ou atropelado, para assim ajudar a enfrentar situações de ameaça.
Para compreender melhor a ansiedade e a sua importância no nosso dia a dia, é interessante imaginar como seria a vida sem este sentimento. Desde situações mais inocentes, desde aquele frio na barriga, que deixa um momento inédito mais especial, áquelas que despertam a nossa atenção para perigo, como fugir de um carro em andamento ou de um cão enraivecido na rua.
Ou seja, é um recurso nato do ser humano que acaba por impulsionar pessoas a progredirem, dia após dia; sem isto, elas ficam desmotivadas.
As reações ansiosas, que envolvem hormonas e neurotransmissores no cérebro e no resto do corpo, despertam comportamentos que já estão pré-programados em cada pessoa, mas que precisam deste empurrão para serem ativados.
É como uma vivência do universo do medo direcionada para o futuro, com variados tons e expectativa, angústia e agitação.
Isto resulta em manifestações físicas, psíquicas e comportamentais. Entre elas, a inquietação, um aperto no peito, e uma sensação que algo grave irá acontecer.
Segundo os especialistas, os reflexos da ansiedade pelo corpo, auxiliam na nossa sobrevivência em situações ameaçadoras.
Por um lado, a ansiedade aparenta ter um aspeto positivo para o ser humano.
Mas, como tudo o que é exagerado, acaba por atrapalhar mais, do que nos ajudar.
Esta reação também tem a capacidade de prejudicar e acabar por evoluir para um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Ou, outros derivados dos mesmos sintomas (fobias, síndrome do pânico, etc).
Como funciona o cérebro ansioso?
A relação entre o cérebro e ansiedade, ocorre metaforicamente da mesma forma que o fogo e o álcool. Representados pela Adrenalina (Neurotransmissor que estimula as reações do corpo ao stress) e o nosso organismo.
Esta adrenalina precisa ser queimada, que causa ações diferentes em cada parte do nosso corpo. Pode provocar tonturas, taquicardia, boca seca, dificuldade respiratória, tremores, frio na barriga, inquietação, visão turva, arrepios, sensação de queda, e sensação que vai morrer na hora).
Para além da Adrenalina, a disfunção da Serotonina (regula o sono e o humor) Dopamina ( proporciona sensações de recompensa) também é uma característica marcante dos quadros de ansiedade.
A ansiedade afeta o cérebro, ativando de forma excessiva a amígdala, nosso “Centro de alarme” enquanto a comunicação com o córtex pré-frontal responsável pelo raciocínio e controle, fica comprometida.
O dia a dia acelerado
Uma simples frase como “Preciso falar contigo”, pode já soar o alarme no cérebro ansioso. A Partir do momento que ouvem essa frase, a mente é inundada por vários pensamentos. “Será que fiz algo de mal?”, “Será que vão acabar o nosso namoro?” “Será que fui despedido do trabalho?”
Tudo isto resume-se a uma frase: A ansiedade é excesso de futuro.
Ás vezes, a maioria desses pensamentos e filmes, nem chegam de facto a acontecer. E isto acaba por gerar stress, medo e ansiedade.
Na era atual de informação, o uso de tecnologias acabou por facilitar a nossa vida, de uma forma mais rápida e prática. Com esta facilidade, muitas pessoas pensam que podem fazer tudo mais rápido e assumir outras coisas, antes de ter finalizado as anteriores .E aqui está o perigo. A ansiedade é um transtorno que faz com que a pessoa sinta uma total sensação de impotência em relação ao seu tempo e como administrar os seus afazeres quotidianos.
Esta acumulação de funções, faz com que a pessoa perca o sentido de prioridade. E as vezes, com a pressa ela compromete a eficácia das tarefas.
E isto faz com que a pessoa sinta-se frustrada. Como se não fosse capaz ou que não seja suficientemente boa.
Acalmar uma mente ansiosa não é sobre “parar de pensar” mas sim sobre mudar a forma como você se relaciona com esses pensamentos. Quando o volume das preocupações aumenta, o segredo é trazer o foco de volta para o momento presente e para o corpo.
Aqui estão algumas estratégias práticas e eficazes para encontrar o equilíbrio.:
Técnicas de Aterramento
Quando a mente viaja para o futuro (“e se…?), você precisa trazê-la e volta para o presente. A técnica mais famosa é a 5-4-3-2-1
- 5 coisas que você pode ver á sua volta
- 4 coisas que você pode tocar
- 3 sons que você pode ouvir
- 2 cheiros que você pode sentir
- 1 coisa que você pode provar
Controle da respiração
A ansiedade acelera o ritmo cardíaco. Ao controlar a respiração, você envia um sinal ao cérebro de que está seguro.
Inspire por 4 segundos, segure por 4, expire por 4 e mantenha os pulmões vazios por mais 4 segundos.
Repita o ciclo.
Organize o “Caos mental”
Muitas vezes, a ansiedade surge pelo excesso de tarefas ou incertezas acumuladas.
- Despejo mental: Escreva em um papel tudo o que está lhe preocupando, sem julgamentos. Tira o pensamento da cabeça e colocá-lo no papel reduz a carga cognitiva.
Movimente o corpo
A ansiedade é um excesso de energia (adrenalina e cortisol). Dar um destino físico a essa energia ajuda muito:
- Uma caminhada curta de 10 minutos
- Alongar o pescoço e os ombros (onde acumulamos tensão)
- Sacudir as mãos e os braços para “liberar” o stress acumulado
Nota importante: Se a ansiedade for constante e interferir severamente na sua rotina, buscar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra é o passo mais corajoso e eficaz que você pode dar. Você não precisa carregar tudo sozinho.