Eu uso o Tik Tok. Muitas pessoas podem considerar que é uma aplicação banal ou que não tem conteúdo. Mas, dependendo daquilo que procuramos, encontramos muitos vídeos educacionais e profundos.
Sendo eu, uma entusiasta do assuntos acerca do nosso cérebro, também procuro vídeos sobre a minha área: cuidados de demências, geriatria, transtornos mentais, etc.
Eis que um dia estava na aplicação e apareceram uns vídeos, que não fiquei nada indiferente. Um senhor, com 91 anos, vulnerável, brincando com coisinhas simples. Bonequinhos, garrafas… e o mais surpreendente, a forma que a família cuida dele. Foi amor á primeira vista.
Decidi escrever para a filha cuidadora dele. Em primeiro lugar, tinha de elogiar o pai e forma como cuidam dele. E, tinha de partilhar a história deles. Uma história, do mais variado leque de histórias, que muitas famílias tem, especialmente quando a demência bate á porta.
No interior quente de Sátiro Dias, onde o vento levanta poeira nas estradas de terra, vive o Senhor Antônio, conhecido como António de aurinha. Com ele, moram mais 4 pessoas: a mulher, a filha mais nova e o filho dela.
Um homem que foi muito trabalhador, de gênio forte, que sustentou sete filhas. Na verdade, eram 11, mas morreram quatro e ele sempre acordava as 4h da manhã para pegar Caju Umbu.
Antes do Alzheimer, ele era conhecido como um homem forte. Nunca reclamou do trabalho, pois nada era mais gratificante do que colocar alimentos na mesa, ele certificava-se que nunca faltaria comida para a sua família.
Mas a doença foi chegando devagar. Primeiro vieram os esquecimentos pequenos, depois os caminhos desapareceram dentro da própria cabeça dele.
Taize, a filha mais nova, aprendeu a sofrer em silêncio.
Aprendeu a dar banho como quem embala uma criança.
A repetir a mesma resposta vinte vezes sem perder a calma. A esconder o cansaço atrás de um sorriso, quando ele perguntava: “Minha filha, eu já almocei?”
O amor, ás vezes, não aparece em grandes gestos Aparece numa colher de sopa dada devagar, um cafezinho com todo o cuidado, numa fralda trocada com respeito.
E embora o Alzheimer estivesse levando as memórias do pai, Taize lutava todos os dias para que ele nunca esquecesse uma coisa: que era amado.

Ele já não tem a força dos homens da roça de antigamente.
As mãos estão magras, a pele marcada pelo tempo, e o olhar parece caminhar entre lembranças que ninguém mais consegue alcançar. Aos 91 anos, sentado na sua cadeirinha, ele carrega no corpo o peso de uma vida inteira.
Talvez ninguém imagine que aquele homem frágil já enfrentou sol forte, terra seca e dias difíceis para sustentar a família no interior de Sátiro Dias.
Hoje, o Alzheimer apagou muitos caminhos dentro da sua memória. Mas há coisas que a doença ainda não conseguiu levar: a dignidade do seu rosto, a história escrita nas suas mãos e o amor silencioso de quem continua ao lado dele todos os dias.
Naquele pequeno gesto e segurar um brinquedo nas mãos cansadas, existe algo mais profundamente humano. Um homem que um dia protegeu os outros, agora precisa ser protegido.
Conheçam a história deste senhor, e vejam o dia a dia, da família e a forma como cuidam.
Cliquem no link, e apaixonem-se, como eu.
@izetay1
